PÁGINAS

quinta-feira, janeiro 12, 2012

O Grito de Jó



LUIZ JOSÉ DIETRICH (autor do livro)
Resenha: Nilo dos Anjos
foto: Nilo dos Anjos

Obra dividida em 5 capítulos faz uma análise profunda e completamente imparcial DO LIVRO DE JÓ. Baseando-se em fatos históricos, nos transporta para época onde podemos contextualizá-la, situando-a ao período em que o povo Judeu era explorado e escravizado pelos Persas.
A estória era bem conhecida na palestina. Ela é bem mais antiga que o livro de Jô da bíblia. Dividida em duas partes, uma no início e outra no final, são como uma cena inicial e final de uma grande peça de teatro. São também como uma porta de entrada e uma de saída de um livro, mas elas não nasceram com o livro, são bem mais antigas, datam de 1000 anos a.c (Jô 1-2 e 42, 12-17). Já o os capítulos que se encontram entre as portas, 40 ao todo, escritos em versos, datam de 450 a 350 anos a.c e tratam das três rodadas de debates entre Jô e seus visitantes e a intervenção final de Deus. Contradições e diferenças entre as partes de prosa e poesia reforçam a idéia de que essas duas obras não são da mesma autoria. O Jô da prosa aceita tudo, é resignado e fiel a Deus, tem aquela paciência que virou provérbio popular. Enquanto o Jô da poesia tem uma atitude rebelde e questionadora.
O texto em prosa retrata a Teologia da Retribuição: os ricos são ricos porque passaram por esta prova; os pobres são pobres porque não confiaram na justiça de Deus, são pecadores. O texto em poesia traz uma Teologia Nova: a teologia é feita não sobre a paciência, mas sobre a rebeldia de Jô; questiona profundamente a Teologia da Retribuição e nos faz refletir sobre o fato das portas terem sido juntadas ao livro. Teria sido para limitar a rebeldia e domesticar a Teologia feita a partir da rebeldia? Ou foram juntadas para que pudessem ser demolidas por essa nova espiritualidade?
Fica bem claro que não é de Deus que estão falando no texto bíblico, na verdade trata-se de uma manipulação de um povo através de sua fé, com o fim de explorá-los e escraviza-los. Ë mais um registro histórico de como se oprimiam as massas para obter poder e dominá-las do que uma demonstração de fé e abnegação por conta de um homem, um homem que na verdade, não é um e sim a representação de um povo que clamava por justiça e cansou de ser explorado.

terça-feira, janeiro 10, 2012

É verdade...

É verdade... 
Às vezes é melhor estar sozinho.
A casa vazia às vezes é a melhor companhia...
E logo nos sentimos mergulhados em um poço de recordações 
Que a solidão nos faz reviver 
E as divagações e indagações e os erros que cometi 
E que ainda irei cometer.
É quando as respostas aparecem 
E mais dúvidas também.
É quando decidimos se paramos 
Ou se vamos além.
É o encontro com a sua outra face 
Aquela que não usa máscaras 
Que não disfarça... 
A outra parte de você que você não conhece muito bem 
E que todos tem.
Aquela que se esconde quando lhe convém 
E que às vezes não se contém 
E se apresenta da pior forma; incontrolável, 
Animalesca, brutal... 
É por isso que estou sozinho agora.
Pra conversar com essa força escondida 
Que de vez em quando insiste em aparecer 
E só a solidão nos permite melhor... conhecer.

Nilo dos Anjos

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Herbert Vianna


Estive lá, 
Mas voltei 
Vou falar das coisas que encontrei
De algumas já falei
e foi dizendo assim que errei,
mas também muitas vezes acertei.
Vou falar do outro lado da vida 
onde não há sofrimento, nem agonia, nem lamento ! 
onde a gente se ama por quase um segundo...
que nunca termina 
pois o tempo...o tempo... 
lá, é um trem que custa a passar 
lá, a arte é de viver da fé 
sem precisar saber o porquê 
mas se sabe em que. 
Creia e verá! 
e um dia você também saberá 
e vai ser tudo diferente, 
ah vai...vai ser diferente ! 
uma mensagem de amor será lida em cada rosto.
Usando óculos de lentes da verdade e da humildade.
Lá, se tem consciência do amor e da sua eternidade.
E por isso eu voltei.
Pra falar pra vocês 
das coisas que encontrei 
e não erro em crer que o seu amor 
trouxe-me outra vez.
E que estar ao seu lado, certamente, bastaria ! 
e sua oração era a lanterna que iluminava e aquecia,
era o cais de porto pra quem precisava voltar.
Meu amor, aonde quer que eu vá, levo você no olhar. 
segue e vai ! 
Lucy… in the sky... 
Me queira bem, durma bem, meu amor. 

Nilo dos Anjos 

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Rebordosa


Tem dias que é melhor não acordar 
Tem dias que é melhor deixar pra lá 
Toda a energia acumulada no repouso 
Pra poder mais um dia levar 
Tem dias que é melhor não acontecer 
Tem dias que eu prefiro esquecer 
E me entregar de uma vez à loucura 
E desejar que ela não tenha cura 
Pra nunca mais voltar a ser... 
Tem dias que é melhor nem saber 
Tem dias que só quem sabe é você 
Que existe alguém como tu 
No cú do mundo 
Que chora, que come, que fode, que ama... 
Que respira, que engana, que morre, que trama... 
Que sofre, que bebe e engole... 
Essa mentira e ninguém te socorre 
Pois estão na mesma merda que você! 
E não dá pra entender 
Por que é que tem que doer? 

E então este dia passa 
E a vida que era sem graça 
Passa novamente a valer. 
E você continua sem entender 
Por que num dia tudo está bem 
E no outro você prefere morrer? 

Tem dias que só quero esquecer 
Tem dias que é melhor nem nascer 
Tem dias que é melhor esquecer que o tempo é curto 
E pedir logo para ter um surto de não querer viver 
Tem dias que você quer matar um 
Tem dias que você é só mais um 
Tem dias que o inferno ta cheio 
E você ainda perde no sorteio de levarem mais um 
Tem dias que eu não tô nem aí 
Tem dias que eu só quero dormir 
Tem dias que prefiro mentir para mim mesmo 
Pra fazer a tristeza sumir 
Tem dias que não consigo nem mentir 
Tem dias que não consigo dormir 
Tem dias que eu tenho que beber, 
Encher a cara! 
Pra tentar fugir de mim 
E esquecer de você. 
Mas existem outros dias... 

Nilo dos Anjos

PRA NÃO PERDER A GUERRA






Ratos do deserto rondando por perto. 
Som de trovoadas sem hora marcada. 
Caos por todo lado, alicerce da realidade. 
O sinal está aberto em mais uma esquina da cidade. 

Sigo por esta estrada. 
Gritos de socorro ecoam na madrugada. 
Mais um corpo tomba na calçada. 
Grades de ferro lhes predem em suas casas. 
Sirenes fazendo zoada, 
Nesta trilha sonora inacabada.

Mas o que dói é a espera... 

Mas ainda não foi desta vez 
E o tambor da vida gira na rua
A roleta russa continua 
Esperando outro freguês. 

Mais um sinal em mais outra esquina 
E a esmola dessa vez é pra menina. 
Seus olhos me acalmam 
Enquanto outros me oferecem cocaína. 
Fecho o vidro de forma repentina 
Como quem já conhece esta rotina. 

Fugindo eu sigo por essa estrada. 
Olho pra trás e não vejo nada. 
A palavra de ordem é a desordem e o futuro é incerto 
E a grande mentira é ser honesto.

Quero ficar sozinho sem pensar no resto. 
O vício da guerra está em meus versos. 
De uma vida contaminada, é o reflexo 
Da sociedade perdida e sem nexo 
Que se revela em parte anexa 
A uma outra apagada, é complexa! 
Prefiro fugir a fingir que não posso fazer nada 
E perder essa batalha batendo em retirada.


Nilo dos Anjos

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Vida Seca


Calam-se as vozes 
Rompem-se as vestes 
Deixam-lhe as preces 
Como último conforto. 
Acha-te deitado 
inchado, rígido, inerte 
e uma flor silvestre 
em traço rupestre 
na lápide que tu vestes 
enfeita agora seu corpo. 
Devolves ao agreste 
terra castigada do nordeste 
essa carne podre que está prestes 
a transformar-se em adubo. 
Inútil alimento para esta terra sedenta 
inútil fragmento de uma vida lazarenta 
onde as chagas purulentas corroídas pelas 
pestes desta vida, tosca vida! vida pobre... 
da ignorância se alimenta. 
Mas que não nega sacrifícios 
tem a esperança como abrigo 
faz da fé o seu escudo 
que aceita o castigo 
enfrenta a fome, enfrenta a seca, 
enfrenta a morte 
sempre acerca 
feche agora o teu jazigo.



Nilo dos Anjos