PÁGINAS

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Não é verdade...

Finja que sabe mãe
Se não quiser sofrer
Que voltarei um dia
Pra junto de você


Finja que sabe mãe
E me ajude a viver
Que as coisas que eu disse um dia,
Foi tudo pra valer.


Finja que sabe mãe
Que eu não me importaria
Que tudo que me disse
Não passou de mentira


Finja que sabe mãe
Que o senhor do Bom Fim
Abençoou a minha vida
E agora cuida de mim


Finja que sabe mãe
Que isso bastaria
E tudo que eu pedisse
O Senhor me daria


Finja que sabe mãe
Que a vida é só alegria
E que eu não precise aqui
Matar um leão por dia


Finja que sabe mãe
Que tenho muitos amigos
Que velarão por mim
E não serei traído


Finja que sabe mãe
Que um dia te direi
Que fui feliz aqui
E tudo lhe darei


Finja que sabe mãe
Que eu saberia viver
Neste mundo hostil
Tão longe de você


Você já sabe mãe
Que na arte de viver
Só eu cuido de mim
E você de você


® Nilo dos Anjos 15/06/2002

Seu Jorge - Tive razão

Tropa de Elite


Assisti a versão pirata, sim eu sei, estou contribuindo para a propagação de mal feitores que se alastram pelo país, a começar por nossos governantes e políticos. Esta é a temática do filme, além de mostrar a corrupção policial, onde criminosos travestidos de policiais fomentam o tráfico de drogas com armas e munições entre outras falcatruas, que vão desde a receber propina do jogo do bicho até receber pagamentos de comerciantes por proteção. O filme também chama a atenção para a responsabilidade dos consumidores de drogas que, numa cena, vão a passeatas pedindo paz e em outra estão puxando um baseado sem se dar conta da sua contribuição para a manutenção deste ciclo que acaba gerando, entre outras coisas, mais violência. Muito evidente na cena em que uma patrulha do BOPE ataca um grupo e mata um rapaz e em seguida pergunta a um estudante, participante do grupo, quem o havia matado. Uma resposta que parecia óbvia é o mote para o policial, vivido por Wagner Moura, descarregar toda a sua indignação contra os usuários de drogas.
O filme nos deixa com uma sensação de mal estar e essa é a intenção. Uma sensação de insegurança e medo,como um órfão de pai e mãe. Nos coloca cara a cara com uma policia sucateada e vivendo de propina, feita para defender interesses, por parte de alguns integrantes, para obterem enriquecimento ilícito. E os bons policias que se encontram no meio acabam tendo que se subjugarem sob pena de sofrerem retaliações, que vão desde a uma mudança de seção de onde trabalham a negação de direitos trabalhistas ou dificuldades para exercer a profissão, até a morte. O filme mostra um ambiente corrompido e uma sociedade a mercê de bandidos e "policias". Nada de novo, mas impactante, por contar uma estória que é baseada em relatos reais e por mostrar a corrupção sob a ótica de um policial. Isso dá uma credibilidade arrasadora que assombra. Destaque para Wagner Moura que se empenhou em mostrar a vida de um policial do BOPE vivendo sob pressão contínua entre sua vida familiar e o inferno de sua profissão.

Nilo dos Anjos

sábado, janeiro 28, 2012

Reticências de nós dois...( a quatro mãos)

Estamos em fases diferentes de nossas vidas...
Eu parti na frente e não houve despedida
E agora nos encontramos novamente em uma outra encruzilhada da vida.
E a diferença de idade não significa nada
E antes que eu me esqueça...
Você está cada vez mais linda!
E esse ar de inocência, de quem ainda não passou da adolescência, me fascina.
Quando é que você vai deixar de ser menina
e se transformar na mulher que já de agora me enlouquece
com sua beleza, caráter, inteligência e bondade genuína?
Com seu olhar doce e ao mesmo tempo astuto de uma felina.
E deixar de ser de outro pra ser minha.
Pra que eu não morra de amor, como Djavan, em alguma esquina.
Não é preciso dizer o quanto e até que ponto tu me dominas.
Será esta a minha sina?
Mais uma vez não haverá despedida !
Esta história tem final feliz!
Por isto a deixo inacabada, sem ponto final,
Pois daqui pra frente você a escreve, e no final, é você quem assina!
A minha parte, agora e aqui, termina...

O texto que se segue foi uma colaboração de Clivânia Teixeira
que gentilmente cedeu-o para publicação neste site,
completando a obra
.



ESTRANHO QUE NOS ENCONTREMOS
QUANDO TE JULGAVA PERDIDO NO PASSADO
E MAIS UMA VEZ O ALGO COMUM QUE NOS UNE
ENCANTA-ME O OLHAR EM DEVANEIOS
OLHAR-TE E NÃO TE TOCAR DÓI
TROPEÇO EM MUDA CONTEMPLAÇÃO
ÉS EM TUDO O DESVARIO DE MEU SER,
INCENDEIAS-ME AS INTENÇÕES ADORMECIDAS
QUE TODO ADEUS MANTENHA-SE LONGE DE NÓS,
QUE NADA AGONIZE NEM NOS SEPARE
E QUE SEJA NOSSA UNIÃO
POR TODOS OS TEMPOS
RETICÊNCIAS DE NÓS DOIS



© Nilo dos Anjos e Clivânia Teixeira
26.06.01







quarta-feira, janeiro 25, 2012

Antes do suicídio



O desespero pela sanidade 
A prece em busca do pecado 
A procura pela vida 
O encontro com a morte 
A salvação em falsa prece 
O medo de querer ter em vida se esquece 
E me perco em sua busca 
E aquela voz suave me sussurra 
E me pergunta novamente 
Ela lhe poupa o sofrimento 
E se aproveita na hora certa 
Na hora exata ela te decepa. 
E vem numa noite fria 
A dor pode acabar no mesmo dia... 
O convite é feito 
Mas não aceito este vinho doce 
De colheita tardia 
Minha vaidade não permite 
E vou viver a minha dor 
E o resto é covardia 


® Nilo e Charlyston

terça-feira, janeiro 24, 2012

Nada de novo debaixo do sol

Todos os rios correm para o mar
Porém o mar nunca se enche
Todas as coisas estão cheias de tédio
Mas não se pode expressar
E ninguém se convence

Os olhos não se fartam de ver
Nem os ouvidos se enchem de ouvir
O que se tem feito
Isso se tornará a fazer
O que tem sido é o que há de existir

Nada de novo debaixo do sol

O lugar para onde os rios correm
Para ali continuam a correr
O que é torto não se pode endireitar
O que falta não pode acontecer
Nada de novo está por vir
Nada há de novo a dizer

Os olhos não se fartam de ver
Nem os ouvidos se enchem de ouvir
O que se tem feito
Isso se tornará a fazer
O que tem sido é o que há de existir

Nada de novo debaixo do sol

Nilo dos Anjos

segunda-feira, janeiro 23, 2012

FALCÃO, MENINOS DO TRÁFICO


AUTORES: MV BILL E CELSO ATHAYDE

DURAÇÃO: 90 min

Por: Nilo dos Anjos


Percorrendo os guetos e favelas do Brasil, MV Bill e Athayde mostram o que todo mundo já sabia!... A degradação humana mostrada em capítulos no FANTÁTISCO é comentada, no dia seguinte, em todos os cantos do Brasil. Talvez a grande surpresa tenha sido a exibição em horário nobre na Rede Globo.
O documentário foi idealizado ao longo de dez anos, durante as apresentações do Rapper MV Bill, em submundos espalhadas por todo o país. Se não fosse por essa informação, teríamos a impressão de que foi feito hoje mesmo em um mesmo lugar, dado ao fato de que não se percebe uma mudança nem no tempo, nem nas pessoas, a não ser pelo sotaque, único indicador de uma mudança de estado, dando a impressão de que não há diferença entre o submundo daqui e o de lá ou entre o subumano daqui e o de lá. Nas entrevistas, os menores são questionados sobre a vida que levam envolvidos entre a bandidagem e pressionados pela sociedade que os marginaliza. Nesse diálogo, surgem depoimentos marcantes como o caso do menino que gostaria de ser bandido quando crescer e do rapaz que queria conhecer um circo. Temos uma aula de comercialização de drogas, desde a captação até o consumidor. Mas não tem nada de novo, nada que filmes como
CIDADE DE DEUS e o documentário ÔNIBUS 174 já não tenham explorado. Talvez o fato de ser uma obra de ficção, no caso de CIDADE DE DEUS, dê uma impressão de que seja uma visão exagerada do autor, mas pelo que vemos em documentários como esse e o do ÔNIBUS 174, podemos perceber uma realidade ainda mais cruel. Resta saber o que estará por trás dessa exibição histórica em cadeia nacional em horário nobre pela Rede Globo.