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segunda-feira, dezembro 12, 2011

Beleza

A beleza entra em choque 
Com sua falta de destreza 
Em lidar com seres de outra natureza. 

Por estar sentada tal qual alteza 
Em seu trono ilibado sem realeza,
Vai cavando sua cova 
Sem se preocupar a sua volta 
Como uma rainha morta 
Sobre a fria mesa. 

Esbraveja com soberba 
Que ataca aos ouvidos 
Daqueles que por serem diferentes, aos seus olhos, 
De seu mundo são banidos. 

Com irônicos risos, 
Como se fosse preciso, 
Arranca os olhos da alma 
E não enxerga mais nada 
Além do espelho... 
Morrerás como narciso! 

quinta-feira, dezembro 08, 2011

A MULHER DO METRÔ




Ela quase não tem bunda, 
Mas é desbundante. 
Não tem peito grande, 
Mas não se deixa despeitar.
Ela não tem charme, 
Mas é impossível não notá-la 
E todos se calam quando ela fala.
Com seu passo miúdo, ela segue adiante. 
E não tem medo de sentir-se triunfante. 
Destas que sabe o que quer sem ser arrogante 
Tem poucos amigos, mas muito importantes. 
 Já leu Dom Quixote de Miguel de Cervantes 
E na divina comédia, ela é o inferno de Dante. 
Seu nome eu não sei, mas juro que pediria 
No momento certo em outro dia. 
Dizem que ela tem fama de só transar com quem ama 
E todos desejam leva-la pra cama. 
Ela foi embora e nem olhou pra trás.
Desceu na estação de Santana. Satanás !
A mulher do metrô que fez fama.
Amanhã ela volta, mas pra minha revolta
Parece aguardar alguém... que por seu nome lhe chama.

Nilo dos Anjos